quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

RESPOSTA À PÁGINA DO PAI NATAL

RESPOSTA À PÁGINA DO PAI NATAL

   Peço desculpa do atrevimento, mas o senhor, meu velho  amigo de tantos anos, foi tão simpático que me atrevo a roubar-lhe um pouquinho do seu tempo.  Vou contar-lhe algo que aconteceu justamente a 24 de Dezembro de 2012.    é claro que quando receber esta minha mensagem já estará de volta aos seus domínios mas mesmo assim acho que vale a pena.... talvez se recorde deste episódio.

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QUERIDA MARIANA,

                                     " Faz hoje um ano.   Lembras-te?
                                     Foi ao cair da tarde.  No meio da cidade, lá de cima, vislumbrei um Parque. Sem
folhas, as árvores pareciam condenados suplicando perdão.Os ramos semelhavam mãos erguidas em súplica
esperançosas que a simpática Fada Primavera, lhes perdoasse o desespero e voltasse a cobri-las de verde.

                                     Mas nem tudo era mau.   Havia um lago com patinhos cheios de vida e uma menina linda que acabara de alimentar um bando de pombos sempre esfomeados.

                                     Resolvi parar por ali.   Perguntei á`menina como se chamava:
                                     -- MARIANA...
                                     Onde moras?        de olhos muito abertos, respondeu, apontando o outro lado da rua:                               -- ALI!

A escassos metros, um pobre velho, não tão velho quanto eu, repousava num banco do jardim, o cansaço de uma vida.      Um pouco mais adiante, um cão, observava-me, sereno e calmamente sentado como se me conhecesse há muito.,,

                                     Tomei imediatamente uma decisão.  Dirigi-me á casa da avó da Mariana..  Pedi-lhe ...abrigo por umas horas, para descansar, que a viagem fora longa..  Não me enganara na porta.... Recebido com carinho, tive um belo cadeirão almofadado e... se eu quisesse - uma cama disponível para descansar umas horas, antes de continuar a caminhada pelas casas dos meninos bons e menos ... afinal " não há rapazes maus..."

                                     E, como era dia 24 de Dezembro, havia um cheirinho doce a Natal que vinha da cozinha.;   umas filhoses,...uns sonhos... e uma ginjinha caseira, aqueceram este corpo enregelado e...adormeci! -
                                     Acordei assarapantado era quase meia noite.   E eu ainda tinha tanto que fazer...
Sorrateiramente escapuli-me deixando algumas lembranças e uma carta de despedida para o Francisco, o Filipe, o Vasco, a Mariana e o Afonso - netos da minha simpática "estalajadeira"- que ainda acreditavam em mim e iam espreitar-me pelo buraco da fechadura, enquanto eu dormia...  pensavam eles que eu não os sentia... e riam do meu ressonar, pondo um dedinho na boca para ninguém fazer barulho.....

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              O que vi durante estes 365 dias que passaram deixou-me triste, acabrunhado.  Eu queria arranjar presentes, mas a CRISE tornou tudo tão dificil!....  E, depois, a minha credibilidade baixou de " rating"... perdi o meu real valor e muitos deixaram de acreditar em mim.

               Decidi aposentar-me.   Chegou  a minha hora.  Vou aguentar-me com a reforma a que os 2012 anos de trabalho me dão direito.  Mesmo com cortes e tudo cá o Pai Natal há-de aguentar-se eternamente,
pois as ilusões dos que ainda são meninos....chegam e sobram.

               Vou, mas vou muito em segredo.  Antes porém, aqui que ninguém nos ouve, quero pedir-vos uma coisa.
                A vida é assim. Uns vão!  Outros vêm!   Em meu lugar ficará a implementar o Natal, Álguém cheio de força e poder nas vossas mentes e nos vossos corações.
               
                 O Menino Jesus que dizem, nasceu neste dia há 2012 anos precisamente quando eu comecei a trabalhar mas que, ao contrário de mim não envelhecerá, irá renascer em cada ano e será sempre o vosso MENINO JESUS!

                 Um beijão do vosso vèlhinho Pai Natal, para todos os meninos do planeta, sem distinção de raças, cores ou credos e em especial para a Mariana que me disse ter uma avó  já vélhina a quem retribuirei, um dia, o inesquecível acolhimento que me deu.

                  E nunca se esqueçam de mim, um velho maroto que baralhava quase sempre as cartas que me
escreviam e depois...olha! os presentes, às vezes saiam trocados.

                  Deixem sempre no vosso " coração de crianças " um cantinho para o eternamente vosso
                 
                                                                                         PAI NATAL
 
                                                                                          Setúbal, 24 de Dezembro de 2012
                                   


domingo, 22 de dezembro de 2013

O MAIS BELO NATAL

O MAIS BELO NATAL

    O pai morrera no mar.  Desesperada, a mãe abandonara-o pequenino e partira.
    Ninguém mais ouviu falar dela.  Recolhido por uns vizinhos, Zé João foi crescendo entre mar e céu, embalado na cadência das ondas..A aldeia era extremamente pobre.  Como ficava um pouco desviada da estrada nacional e os acessos eram difíceis, ali não vinham nunca quaisquer visitantes.  Não chegavam, por assim dizer, notícias de fora.
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    Estava  frio a valer naquela noite!  A chuva caía miudinha e impiedosa a fustigar as tábuas do casebre
em cujas frinchas o vento gemebundo assobiava.  
    Há muito que Zé João adormecera, entregue ao maravilhoso descuido dos seus oito anos fraquitos e espigados.

    Alguém bateu á porta.  Sobressaltada, Ti Zulmira, a pele curtida pela salmoura e os olhos meio encovados, ergueu-se num repente como se temesse qualquer coisa.  Hesitou.  Mas logo, resoluta, foi abrir.
     No limiar da porta mal iluminada pela luz bruxuleante  da candeia recortou-se um vulto de homem ainda
novo. Estava ligeiramente molhado.
   
     - Tiazinha, não há possibilidade de eu passar aqui umas horas? Vou para longe.  Pensei fazer esta viagem de noite.  Não conheço bem a estrada e, na escuridão desviei-me do caminho.  Temo perder-me outra vez e se pudesse ficar aqui...amanhã de manhã, muito cedinho, já poderia seguir viagem.
    - Não poderá  facultar-me o abrigo que necessito?

   -  Entre, meu senhor!  Mas olhe que isto é muito pobre... nem sequer terá uma cama digna para se deitar.

   -  Mas terei um teto a proteger-me da frialdade da noite...
   E entrou!
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 Sentado ao pé do fogo que ardia sobre uma tosca pedra em jeito de lareira, aquele homem contou a sua história.
       Tinha um filhinho doente,  lá para as faldas da serra, a ares.  Ele andava por fora, em serviço mas queria passar com ele o Natal.  O Natal de que o filho tanto gostava.  Levava-lhe brinquedos:  um automóvel de corda, um barquinho de velas brancas...  Como ele ia ficar  contente!  O seu menino.. tão doentinho... lá longe naquela quinta entre pinhais.

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        Embora adormecido, Zé João acabou por se aperceber da presença do desconhecido. Entreabriu os
olhos mas virou-se para o outro lado, recaíu numa quase inconsciência que, no entanto, lhe permitiu apreender uma ou outra palavra da conversa.

        Como seria o Natal em casa daquele homem?  Quem seria o menino de quem falavam?
  Ele nunca tinha tido o seu Natal....

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        Pela frincha mal calafetada que ficava mesmo rente à alcova, Zé João viu brilhar uma estrelinha pequenina... e pareceu-lhe que a estrela  o chamava nessa noite de breu.
       - Zé João!...Zé João!... Vem comigo....
       e o Zé estendeu a mãozinha enregelada pelo frio da noite à estrela escaldante
mas o que ele apertou não foi um raio de luz mas sim outra mãozinha pequenina como a sua.  Zé João estremeceu.
        - Não tenhas medo!  Vem. sou eu que te chamo, o Menino Jesus!.  Também estou sózinho como tu.
Na terra os meninos só se lembram de mim para me pedirem coisas boas mas. ingratos, logo que as- têm
esquecem-me por completo.
         Vem, não tenhas medo. Vamos brincar para casa do meu pai  teremos neve a valer e estrelas verda-
deiras na nossa Árvore de Natal.. e muitos anjinhos loiros...  Vem, Zé João!  Vem por aqui...

       - E terei um barquinho como há na aldeia para eu andar no mar?  Um barco grande para eu me meter dentro?
       - Terás um mais lindo, ainda, com velas branquinhas de luar.
       .  Verdade?
       - Tem fé!  Confia e espera.
       - Mas eu depois não sei conduzi-lo;  sou tão pequenino, ó Jesus...
       . O Pai te guiará... entrega-te à sua guarda e serás grande...
       - Tu tens pai?
       - Tenho!.  Todos nós temos pai, Zé João!....
       - Todos não!  Eu  não tenho...
       - Segue em frente!  Ergue a tua fronte bem alto. Que não tenhas nunca  motivo para a baixares...
       se fores digno e bom, encontrarás teu pai.  Está lá em cima!  ergue-te da lama do mundo!
       - Sobe até Ele e vê-lo-às...

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       - É seu o pequenito?
       -Não, meu senhor!  - e a ti Zulmira contou ao seu hóspede de uma noite, a triste história do pobre
    ZÉ João.
     
       - Como ele dorme!...coitadinho!...  Faz-me lembrar o meu filho.  Parece um anjo.
       - Um anjo?  Assim tisnado, meu senhor?
       - A cor não importa, tiazinha;  olhe como ele sorri mesmo dormindo..... talvez sonhe com o seu Natal.
Com o despertar de amanhã...

      - Natal!!   Ele sabe lá o que isso é, meu senhor? O pobrezinho nunca teve Natal... nunca teve um brinquedo.  Brinca com a areia da praia e com as conchas do mar... e já não é pouco... Somos muito pobres....

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        A manhã era ainda uma criança quando aquele desconhecido se despediu da Ti Zulmira que, pelo atalho o reconduziu à estrada, depois de ter tirado o carro do lameiro onde os pneus da frente se tinham
atolado.
        O motor roncou ao longe na curva da estrada e ti Zulmira, enxugando uma lágrima furtiva, afagou, na palma da mão encarquilhada e seca as moedas que ele lhe dera ao partir.

         Voltou para trás.  Encostada à ombreira da porta carcomida pelos anos, sonhou como poderia ser
diferente para eles aquele dia de Natal se não fossem realmente tão pobres.
         Um gargalhar feliz a despertou.
        - Que é isso, Zé João?
        - Avó...Venha ver!   foi o Jesus quem mo deu..... Eu fui ao Céu esta noite, com Ele, e brinquei muito, avó... e Ele disse-me que me dava  o barquinho....  Não é lindo..avó!?


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         Sobre a manta esburacada do catre, entre papeis coloridos, já rasgados, um pequeno barco alvejava.
       
         Era tarde para lhe agradecer.  Ele há muito que partira.  Mas mesmo  assim, de lágrimas a queimarem-lhe os olhos, ti Zulmira murmurou emocionada:
       
-        -  Que Deus o proteja e lhe cure depressa o filhinho doente.....











     




   

sábado, 7 de dezembro de 2013

UMA HISTÓRIA VERDADEIRA COM SABOR A NATAL- O SIMÃO

O  SIMÃO

Era uma vez uma mãe muito especial.
Tinha o raro dom de saber ouvir. Ouvia não só o que as pessoas diziam mas também as conversas dos animaizinhos... Sabia ouvir as vozes e os silêncios.

Um dia, essa mãe especial foi a um hipermercado. E, como tinha um bébé pequenino, de cinco mezinhos apenas, foi à secção dos brinquedos.
As mães estão sempre a dizer que não compram nada...nada...nada mas, quando vão aos hipermercados não conseguem resistir.  Acabam sempre na zona dos brinquedos.

É um mundo mágico. A magia faz parte da vida e elas, as mães, sonham com o momento mágico de ver os filhos felizes com mais um brinquedo.

No meio de tanta coisa, aquela mãe especial ficou confusa: os brinquedos eram tantos e tão giros.  Difícil era escolher....
E, o Francisco, assim se chamava o seu menino, merecia tudo.
Por isso, ela olhou...olhou...olhou...
Nas prateleiras, brincavam, lado a lado, carrinhos, bolas coloridas, bonecas, rocas, peluches, veluches...
um nunca acabar.
Uns, tocavam sininhos...outros riam ou choravam, outros estavam simplesmente adormecidos à espera que alguém os despertasse e os levasse.

De repente, aquela mãe especial, que até sabia ouvir, reparou num macaquito castanho que parecia muito envergonhado, no seu canto, para onde o empurrara um coelho atrevido de longas orelhas brancas que, com dois dentinhos de fora dizia:

---Chega-te para lá!!! Agora é a minha vez.  Sou lindo e ela vai levar-me...

Como que a dar uma ajuda, o coelhito manhoso deu um salto da prateleira, para a frente, e caíu dentro do carrinho das compras.  Estava convencido que assim aquela mãe não resistiria a levá-lo.

Ela apanhou-o com cuidado, afagou-o e voltou a repô-lo na prateleira..

Foi então que reparou no macaquito castanho claro. Tinha as plantas dos pés verde clarinho e ao pescoço
um laçarote da mesma cor.  Pegou-lhe.  Ele desajeitado, barrigudo, com orelhas pequeninas tinha os olhos redondinhos, tristes mas muito azuis... e tinha,  calculem, um grande nariz  vermelho...
Parecia um "doutor palhaço"... e era tão fofinho... que aquela mãe especial não resistiu a apertá-lo contra o peito, como apertava o seu menino.
Foi amor á primeira vista.  Logo ali lhe deu um nome:  SIMÃO.

E assim o MACACO SIMÃO, mudou-se para casa do Francisco...
Ambos pequeninos, gorduchinhos, muito meigos, desde o primeiro minuto se tornaram grandes e inseparáveis amigos.

Sempre que o Francisco queria fazer Ó -Ó, a mamã ia buscar  o SIMÃO e eles lá ficavam abraçados enquanto o sono durava....

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E desta forma, o SIMÃO que parecia t-ao tímido ganhou e bem o seu lugar no seio da família onde ainda hoje vive feliz e contente. E assim quase sem darem por isso se passaram oito anos  de uma amizade, nunca posta em causa, entre um menino de verdade e um macaco a fingir.