A SURPRESA
O hoje foi para ela o fim do tempo.
A máscara caíu e nessa queda deixou a descoberto um rosto enfrentando outro que se quer apagar na
penumbra da fuga, do medo.
Ele começa a descer a escada que os unia e os separava em simultâneo. Quebrar a rotina é a carta que
atira para o meio da mesa.
Ela vai a jogo. Aceita o desafio e sem permitir que ele vislumbre a sua mágoa entrega-se, uma vez mais,
toda inteira, com alma, coração e vida. Vai deixar-lhe na ponta dos dedos o toque macio da pele, o
odor do perfume, o calor de um ósculo de despedida.
A tarde começa a envolvê-los na sombra que os oculta e afasta talvez para sempre.
A noite vem. Ele vai... Ela fica!... Vazia!. Mas aliviada como se lhe tivessem estirpado um tumor que
crescia, em tamanho, em dúvida, em sofrimento.
A Páscoa está à porta. A lua sobe no céu, brilhante, luminosa como a dizer-lhe:
---- Faz como eu. Brilha enquanto podes!!!......
Sobre a mesa as amêndoas que ele lhe oferecera....
Amargavam-lhe mesmo sem as ter provado.....
----Bem hajas pelo teu presente envenenado ........
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