quarta-feira, 27 de março de 2013

                           A SURPRESA

     O hoje foi para ela o fim do tempo.
      A máscara caíu e nessa queda deixou a descoberto um rosto enfrentando outro que se quer apagar na
       penumbra da fuga, do medo.

      Ele começa a descer a escada que os unia e os separava em simultâneo.  Quebrar a rotina é a carta que
      atira para o meio da mesa.

      Ela vai a jogo.  Aceita o desafio e sem permitir que ele vislumbre a sua mágoa entrega-se, uma vez mais,
      toda inteira, com alma, coração e vida.  Vai deixar-lhe na ponta dos dedos o toque macio da pele, o
      odor do perfume, o calor de um ósculo de despedida.

      A tarde começa a envolvê-los na sombra que os oculta e afasta talvez para sempre.

       A noite vem.   Ele vai... Ela fica!... Vazia!.  Mas aliviada como se lhe tivessem estirpado um tumor que
       crescia, em tamanho, em dúvida, em sofrimento.

       A Páscoa está à  porta.  A lua sobe no céu, brilhante, luminosa como a dizer-lhe:
       ---- Faz como eu.  Brilha enquanto podes!!!......

       Sobre a mesa as amêndoas que ele lhe oferecera....
       Amargavam-lhe mesmo sem as ter provado.....

        ----Bem hajas pelo teu presente envenenado ........

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