A MEU PAI
Ó meu saudoso pai, hoje tu és
preso na morte fria, inacessível,
a certeza mais dura, mais real,
dum verdadeiro amor já´impossível.
Sinto-te junto a mim em certos dias
e oiço a tua voz nos meus ouvidos;
quero abraçar-te e vejo que não passas
duma torpe ilusão dos meus sentidos.
Então, desfeita em pranto, essa ilusão
deixa um sabor amargo de miragem.
Tudo se esvai por fim mas, no meu peito
fica mais viva ainda a tua imagem.
Teu nome não morreu quando morreste,
nem acabou no eco dos meus gritos,
pois ele viverá, enquanto eu,
com ele assinar os meus escritos.
Henrique Pascoal era o nome do meu pai. Foi ele, que desde o primeiro dia me apoiou, lendo de uma forma discreta, às escondidas, o que eu deixava rabiscado, aqui, ali. O seu silêncio e a forma como me olhava eram um sinal de aprovação.
Por isso, depois de ter assinado, por imperativos profissionais, com vários pseudónimos, decidi que definitivamente, assumiria o nome do meu pai como a minha identidade literária.
Por isso, tudo que tenha escrito ou venha a escrever será identificado da forma mais simples, natural e verdadeira...........
Teresa Pascoal
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